Panorama social


A crise está produzindo alguns efeitos magníficos, que ninguém planejou. Belezas do capitalismo: milhões de pessoas fazendo escolhas independentes e produzindo efeitos que ninguém previu.

Muitos profissionais que perdem empregos nos Estados Unidos estão virando professores. Isso mesmo. Contadores vão para as escolas ensinar, depois de muitos anos com a mão na massa. Projetistas vão para escolas e faculdades ensinar desenho industrial e por aí afora.

Se perdessem os empregos, dois meninos maluquinhos que resolveram cair na vida, em vez de virar acadêmicos, poderiam ir dar aulas. Muitas universidades receberiam Bill Gates (Microsoft) e Steven Jobs (Apple) de braços abertos. Acredito que haveria uma enorme disputa entre as melhores universidades para ver quem conseguiria levar qual.

No Brasil, como professores, bateriam com o nariz na porta.

Como nenhum dos dois tem mestrado ou doutorado, não valem nada para qualquer universidade brasileira. O Ministério da Educação não os reconhece. Um profissional fantástico sem mestrado ou doutorado é proibitivo para uma universidade brasileira.

Cirurgiões que foram dos bancos da escola para as salas de operação não poderiam lecionar em faculdades. Sua experiência avançadíssima vale zero.

Não passaram pelos rituais de iniciação: gastar tempo escrevendo dissertações. Estão fora. Graças ao MEC, no Brasil, vigora o “quem sabe faz e quem não sabe ensina.”

Simon Schwartzman, especialista em educação superior e pós-graduada, disse numa entrevista (Veja 2059, 7 de maio de 2008): “O professor [brasileiro] participa de um congresso ou publica um artigo numa revista que ninguém lê.” Em outras palavras, os professores brasileiros passam a vida fazendo imensos esforços para ter impacto zero no desenvolvimento da ciência, da tecnologia e das políticas públicas.

Parece anedota, mas não é. Criou-se um clube de amigos que publicam em revistas nas quais, não raro, o intervalo entre o término de uma pesquisa e sua publicação pode ser de até 4 anos. Só essas revistas são reconhecidas. Outras mídias (jornais, revistas, TV) de nada valem, ainda que possam ser lidas por milhões de pessoas. Isso em tempos de Internet.

Nikola Tesla (o inventor da geração de corrente alternada que move o mundo) não teria emprego em nenhuma universidade brasileira. Dificilmente conseguiriam publicar um artigo em revista Qualis (esse é o codinome das revistas que o MEC reconhece).

Na Universidade de Chicago, a maior ganhadora de prêmios Nobel (79 ao todo, 27 em Física e 25 em economia), é possível entrar sem jamais ter ido para a escola, qualquer escola. Lá, o principal critério para contratação de um professor de economia é o potencial para um prêmio Nobel. A universidade sabe que cada prêmio Nobel é um pote de mel para atrair alunos, doações e outros bons professores.

Recentemente, na feira de ciências de uma escola secundária na área de Boston, em Massachussets, um adolescente de 16 anos apresentou um trabalho da maior relevância para a saúde pública no Brasil: descobriu que o vírus da hepatite C e o vírus da dengue são primos próximos. Este atalho pode economizar muitos anos na descoberta da cura da dengue (sabendo que os vírus são primos próximos podem-se usar muitos conhecimentos já avançadíssimos sobre o vírus da hepatite C, para a dengue).

O caminho até a cura da dengue ainda é longo, mas será muito mais curto do que sem a descoberta.

No Brasil, ninguém o levaria a sério porque ele não tem idade nem para poder entrar para uma faculdade, como, de resto, não levaram o Portellinha, sobre quem comentei n’O Estadão em “Deixem o Portellinha estudar em paz,” (O Estado de São Paulo, 12 de março de 2008, pág 2). Apesar de aprovado no vestibular de direito com sete anos de idade, Portellinha foi impedido, pelo lobby da OAB e pela lei, de entrar para a universidade.

O interesse dos burocratecas do MEC está em formalidades e papelório.

O currículo oficial do CNPq registra minúcias da vida de professores que me lembram o que meu amigo Lorenzo Meyer, historiador mexicano, chamava de ridiculum vitae.

Qualquer atividade acadêmica exige um papel assinado por alguém atestando que aquilo é verdade. Vou além de Simon: o pouco tempo que sobra de tentar publicar artigos que não serão lidos por ninguém é consumido correndo atrás de papelório inútil.

Tomara que Bill Gates e Steven Jobs não percam seus empregos, pois poderemos continuar a curtir nossos produtos Microsoft e nossos Macs e iPhones.

No Brasil, Bill Gates e Steven Jobs não teriam tempo para inventar nada. Perderiam seu tempo correndo atrás dos certificados que os legitimaria perante a burritzia nacional.

As invenções, ora, as invenções… são coisas de gringo… Aqui basta uma política industrial para dar dinheiro aos amigos do rei.

Quando a lei e os oligopólios de proteção profissional impedem o progresso de alguém porque não passou pelos rituais de iniciação, fica mais fácil entender porque o Brasil não tem nenhum prêmio Nobel, em nenhum campo.

Autor: Alexandre Barros
Fonte: http://www.ordemlivre.org/node/970

Lembro-me de anos atrás, na época da faculdade, onde acesso móvel com qualidade era completa utopia. Mobilidade hoje é uma realidade, já que as possibilidades de conexão em banda larga aumentam rapidamente.

Especificamente na Barra da Tijuca, o cliente pode escolher entre internet na TV à cabo com a Net, pela operadora de telefone com o Velox, rádio (espectro e onda curta) com alguns provedores, satélite e, ultimamente, vieram se juntar o 3G e em breve, acesso WiMax, tecnologia que já funciona bem na orla de Copacabana.

O custo de uma conexão de 1 Mega em 3G tem equivalência com o preço de 3 Mega nas conexões por cabo de TV etc. Os preços de início continuam um pouco altos, mas a tecnologia de rede permite partilhar o ponto de acesso entre muitos, de modo que, com alguma pouca arte, mesmo para um usuário iniciante não é segredo o compartilhamento, o que faz baratear o custo.

Para quem não sabe, Warren Buffet é um dos mais bem sucedidos homens de negócio do mundo. Outro dia li uma entrevista deste cidadão que mencionou comportamentos curiosos para uma pessoa com seu poder aquisitivo. Abaixo alguns dos ítens interessantes:

Comprou a sua primeira ação aos 11 anos, e hoje lamenta tê-lo feito tardiamente! As coisas eram baratas naquele tempo…

Comprou uma pequena fazenda aos 14 anos, com as economias oriundas da entrega de jornais. Pode-se comprar muitas coisas com pequenas economias.

Ainda vive na mesma casa modesta, de 3 quartos , no distrito de Omaha, a qual comprou após se casar, 50 anos atrás. Diz ele que tem tudo o que precisa naquela casa. Sua casa não possui muros nem cercas.

Dirige seu próprio carro para todo lugar, e não tem motorista particular, nem equipe de segurança à sua volta.

Nunca viaja em jato particular, embora seja proprietário da maior companhia aérea privada do mundo.

Sua empresa, Berkshire Hathaway, possui 63 companhias. Escreve apenas uma carta anual aos principais executivos destas companhias, dando-lhe as metas para o ano. Nunca promove encontros nem os convoca habitualmente.

Transmitiu aos seus executivos somente duas regras: Regra nº 1: não perca nenhum centavo do dinheiro de seu acionista. Regra nº 2: não se esqueça da regra nº 1.

Não costuma freqüentar a alta-sociedade. Seu passatempo, após chegar em casa, é fazer ele mesmo um pouco de pipoca e assistir a televisão.

Warren Buffet não usa telefone celular, nem tem computador sobre sua mesa.

Bill Gates, o homem mais rico do mundo, encontrou-se com ele, da primeira vez, cinco anos atrás. Bill Gates achava que nada tinha em comum com Warren Buffet. Portanto, programara seu encontro apenas por meia hora. No entanto, quando Gates o encontrou, este encontro perdurou por dez horas, e hoje em dia, Bill Gates o considera o seu guru.

Pontos de destaque na entrevista:

O dinheiro não cria o homem, o homem é quem criou o dinheiro.
Viva a sua vida da maneira mais simples possível.
Não faça o que os outros dizem – ouça-os, mas faça aquilo que você se sente bem ao fazer.
Não se apegue às grifes famosas; use apenas aquelas coisas em que você se sinta confortável.
Não desperdice o seu dinheiro em coisas desnecessárias; ao invés disto, gaste nas coisas que realmente precisa.

As pessoas mais felizes não têm, necessariamente, as melhores coisas. elas simplesmente apreciam aquilo que têm.

O número de brasileiros que acessa a Internet a partir de suas residências teve um crescimento de 26,1 por cento em agosto sobre o mesmo mês de 2007 e de 78 por cento nos últimos dois anos. Os dados são da pesquisa mensal Ibope/NetRatings, divulgada nesta quarta-feira. Em agosto, 24,3 milhões de pessoas acessaram a Internet a partir de suas casas, enquanto o número de pessoas que moram em residências em que há computador conectado à Web cresceu para 36,3 milhões, número que era de 30,1 milhões há um ano.

“Ele não morreu em missão da PM”
Justificativa dada pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Gilson Pitta sobre o não custeamento do enterro do soldado Luiz Cláudio Melo, 32 anos, morto durante a megaoperação no Complexo do Alemão. O soldado, que deixa mulher e uma filha de 9 anos, estava na ação em apoio à Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae). O policial não foi enterrado em Sulacap, mas no Cemitério de Inhaúma.

O comentário no velório era o de que policiais civis se cotizaram para poder pagar o enterro.

 

Sou um carioca assim meio atípico. Não gosto de aglomerações, saio pouco hoje e não sou muito fã de futebol; e para atipificar ainda mais, amo nossas polícias como instituições.

Agora ao ver uma reportagem na Rede TV sobre uma ação da Polícia Civil e da Polícia Militar no Complexo de favelas do Pavão, Pavãozinho e Cantagalo, incrustado no coração da Zona Sul fiquei morto de vergonha.

O coturno de um policial militar não deixava nada a dever a qualquer sapato do pior mendigo que anda pelas ruas de nossas cidade. Rasgado, gasto, com partes da meia à mostra, enfim o retrato de um militar, guerreiro por certo, senão lá não estaria nesta ação, que não recebe seu fardamento há anos e é obrigado a retirar de seu parco salário o dinheiro para comprar farda e coturnos.

Uma vergonha para a PM, uma vergonha para a Unidade do policial (o GEPAE, o qual não canso de criticar…) e uma vergonha para os cariocas.

Como se não bastasse, a reportagem da Rede TV ainda exibiu as ‘belíssimas’ dependências do PPC do GPAE lá no Pavãozinho… .

Digno de um mendigo também… .

Sem nenhuma conservação, paredes úmidas e imundas, camas que mais pareciam catres da época medieval, um local escuro e insalubre, com paredes finas e portas e janelas caindo aos pedaços.

E na fachada deste ‘belo, aprazível e operativo’ local as inscrições que o identificavam como sede de uma ‘Unidade’ da PM. Como uma polícia e um governo podem almejar combater de fato a criminalidade organizada, bem armada, com condições deste tipo ?

Como uma polícia pode se fazer respeitar andando com trajes rotos e baseando-se em um local assemelhado a um túmulo de cemitério de periferia ?

Fiquei envergonhado de verdade. Imaginei o que não se fala desses policias e da PM no interior da comunidade por eles se apresentarem e se basearem nestas condições tão deploráveis… .

Certamente aquele coturno rasgado não é o com que o policial se apresenta em sua Unidade, pois certamente se o fizesse, ainda que não receba fardamento, seria punido. Aquele coturno de fazer corar velhinhas em praça pública deve ser seu ‘coturno de guerra’, usado no dia a dia para correr atrás dos traficantes nas favelas sem gastar ou rasgar aquele outro, e único, coturno novo que ele tem para se apresentar aos seus superiores.

Um coturno novo custa caro… .

Há anos lutamos pelo fim dos PPCs e dos DPOs na imensa maioria das favelas cariocas pela absoluta inutilidade dos mesmos.Há anos, desde que o GPAE surgiu, acompanhamos seu desenvolvimento e sua ‘impressionante’ ineficácia. Até no Cavalão, em Niterói, onde o GPAE tinha angariado a fama de haver acabado com o tráfico já tivemos um promotor seqüestrado e torturado por traficantes dias atrás.

Quando vejo cenas como estas sendo exibidas a nível nacional por uma emissora de TV em seu principal telejornal me sinto constrangido e envergonhado.

Sinto-me assim me vendo em cada PM que vai para as ruas ganhando um salário de miséria e tendo que trajar-se quase como um mendigo para cumprir sua missão de guerreiro.

Pois os que não são guerreiros, têm dinheiro suficiente para se fardarem bem e adequadamente e utilizarem, para fins inconfessáveis, os equipamentos e armas mais modernos… .

A estes, os nossos guerreiros e heróis anônimos do dia a dia a homenagem de um carioca envergonhado.

Autor: Segadas Vianna

O texto abaixo pertence ao jornalista e escritor João Ximenes, que questiona a idéia popularizada pelo filme “Tropa de Elite”, de que quem consome drogas financia a violência. Colunista do caderno Ela, do GLOBO, e autor dos livros “Porra” e “Juízo”, Ximenes escreveu hoje no blog do Jorge Antônio Barros (http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/reporterdecrime/) um texto abordando uma realidade nem sempre enxergada pelas vertentes mais conservadoras da sociedade.

“Fiquei até sem graça quando o Jorge me deu a honra de citar um trecho de uma mera crônica de costumes neste blog freqüentado por especialistas em violência urbana. Só queria esclarecer duas coisas: não sou especialista em nadica de nada e não discuto a frase “quem consome drogas financia a violência”. Nunca neguei que seja verdadeira. Só não entendo qual a sua utilidade. 
Todos concordamos que, no Rio, quem consome drogas financia a violência. Mas e daí?  “E daí” no sentido literal de “e o que vem depois”? Quando alguém brada tal frase, exatamente o que está querendo ou esperando que aconteça? Que todos os usuários de drogas parem automaticamente de consumir, é isso? Poxa, seria bacana se acontecesse. Apenas não acredito nessa possibilidade. Não por ser pessimista, mas porque acho irreal estabelecermos como meta um estágio nunca alcançado por outra sociedade. Não há um grande centro urbano onde não haja consumo de drogas para termos como exemplo a ser seguido.

Por outro lado, conheço várias cidades onde há tanto ou mais consumidores que no Rio de Janeiro sem que isso afete o dia-a-dia do cidadão que não se envolve com eles. Cidades onde drogas são questão de saúde pública. Onde até se vê viciados em crack ou heroína cometendo pequenos furtos – eventualmente latrocínios – para sustentar o vício, mas não se vê traficantes fechando comércio, incendiando ônibus, andando à luz do dia com armas de guerra, trocando tiros entre si ou com a polícia no meio do povo. Cidades onde os traficantes fazem o que qualquer traficante faz, exceto o carioca e o colombiano: trabalha discretamente, com o mínimo de violência possível para chamar o mínimo de atenção possível, e assim poder vender mais.

Por isso me parece muito mais lógico que, em vez de ficarmos repetindo o slogan “quem consome drogas financia a violência”, deveríamos tentar entender o diferencial, a especificidade do porquê do tráfico no Rio ser tão ostensivamente violento, mais que em qualquer outro lugar do mundo. Por que há consumidores? Consumidores também os há em Berlim, por exemplo, mas não há violência atrelada ao tráfico. Dizer que quem compra drogas financia a violência é uma verdade, mas está muito longe de ser uma explicação para o que acontece no Rio, e mais longe ainda de ser uma solução.

Sem falar que essa idéia de “culpar” ou “responsabilizar” o consumidor começou a ser amplamente divulgada pelo sr. Anthony Garotinho durante sua trágica gestão como secretário de Segurança, o que me reforça a sensação de ser um slogan verdadeiro, mas que nada explica ou soluciona, apenas serve para desviar a atenção do que deveria ser o verdadeiro foco da discussão sobre a violência pública no Rio.

E qual o foco? A meu ver deveria estar na incompetência e na corrupção de governantes que, ao longo de décadas, permitiram que se instalasse um poder armado em áreas onde grande parte da população da cidade ficou e fica desassistida de emprego, transporte, saúde, educação, Justiça, distribuição de renda e, sobretudo, segurança. Em tais condições, mesmo sem o consumo de drogas, o dito poder paralelo teria se formado e se armado – assaltando, seqüestrando, roubando. O tráfico é apenas uma faceta da nossa bandidagem, e o consumidor de drogas tem sua responsabilidade no caos que estamos vivendo, sim, mas não é a origem dele.

Compreendo os leitores do blog que ficaram indignados com o trecho de minha crônica destacado pelo Jorge. Nunca quis livrar a cara dos consumidores. Só acho que enquanto a gente deixar presidentes, ministros, governadores, prefeitos, vereadores, senadores, deputados e policiais apontarem o dedo aos usuários só para livrar a deles, o Rio vai continuar a mesma bosta que está.”

Morreu hoje (05/09/2008) aos 51 anos Cleyde do Prado Maia em conseqüência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) sofrido no dia anterior. Para que não sabe, esta mulher era a mãe que perdeu sua filha, Gabriela Prado Maia aos 14 anos morta por uma bala perdida durante um tiroteio entre policiais e assaltantes do metrô na estação São Francisco Xavier, na Tijuca em 2003.

A perda da filha levou Cleyde a se engajar na luta contra a impunidade e a violência urbana no Rio. Ela participava diretamente da comissão formada pelo movimento Rio de Paz para diálogo permanente com a Secretaria de Segurança do estado. Fundou a ONG Gabriela Sou da Paz e constantemente organizava passeatas e outros movimentos procurando alertar para o caos da segurança no Rio de Janeiro.

Cleyde do Prado Maia, será cremada amanhã e suas cinzas serão jogadas na Praia da Barra da Tijuca, assim como ocorreu com sua filha, Gabriela Prado Maia. O pai de Gabriela, Carlos Santiago, informou que a família receberá as cinzas três dias após a cremação.

Santiago – que foi casado com Cleyde por 21 anos e voltou a se aproximar dela após a morte da filha – informou também que, neste momento, Cleyde está sendo submetida a cirurgias para remoção de órgãos que serão doados, cumprindo o último desejo da mãe de Gabriela.

– Na morte da Gabriela, a Cleyde sofreu muito diante das dificuldades de se doar os órgãos. Então fez questão de liderar um movimento na família para assinar os documentos determinando que seus órgãos fossem doados. Estamos realizando o último desejo da Cleyde – afirmou Carlos Santiago.

Médicos do Rio Transplante, que estão participando da operação, informaram a Santiago que até ossos de Cleyde serão aproveitados na doação. Os médicos avaliaram que o coração de Cleyde está em bom estado, mas não se sabe ainda se será aproveitado por algum receptor pelo fato de a doadora ter mais de 50 anos de idade.

Bom, aqui vai mais uma cidadâ que sentiu na pele o caos da falta de segurança no estado. Enquanto isso os assassinos de sua filha provavelmente estão praticando crimes de dentro da cadeia, utilizando celulares e provavelmente dentro de alguns anos estarão de volta as ruas. Fica aqui minha indignação.

Estava navegando por blogs nacionais quando me deparei com um texto interessante que retrata a realidade social brasileira. Não me recordo o endereço do blog ou o autor (esqueci de selecionar a url e o contato do autor), mas abaixo vai o texto.

“Eu trabalho numa loja de prestação de serviços; pagamento de contas, xérox, assistência técnica em computadores, essas coisas.
Eu estava enrolando serviço trabalhando quando entrou na loja uma senhorinha simpática de uns 50 ou 55 anos e veio falar comigo.

Moço, por favor, você escreve uma carta pra mim?

Na hora eu pensei:

“Que foda… ela não deve saber escrever.”

Fiz trejeito de me levantar, e por curiosidade, perguntei:

– Pra quem é a carta?

– Pro Silvio Santos.

Não soube o que dizer, mas fiquei no lugar que estava.
Perguntei o que era pra escrever e ela me disse só o seguinte:

– Fala pra ele que eu quero ganhar meio milhão.

– Só isso?

Perguntei, e me arrependi amargamente de ter perguntado.
Durante mais ou menos meia hora (meia hora importante do meu serviço, em que eu poderia estar, fazendo coisas de suma importancia, como responder recados no orkut) ela me contou as peripécias de sua vida e como entrou numa dívida que eu achei bastante idiota.
Nessa hora me pergunto: Afinal de contas, se essa mulher tá devendo, por que o Silvio Santos tem que pagar a dívida dela?

É quase cultural hoje no Brasil essa mania de esperar que as coisas caiam do céu ou que alguém de alguma de empresa de televisão vá e pague suas contas, reforme sua casa, te leve de volta pra cidade natal. Tudo que alguem quer hoje, qualquer coisa, eles pedem pra alguem da televisão, para esse batalhão de Gugus e Silvios Santos que temos por aí, isso quando não se ajoelham e pedem aos céus e infernos por uma intervenção divina, cada vez mais o povo se acomoda.
Ninguém mais pensa em, por exemplo, trabalhar pra arrumar algum dinheiro e pagar suas dívidas, reformar sua casa, comprar a passagem pra ir embora pra terra natal. Todo mundo espera que o Gugu apareça na porta de sua casa ou então que um deus desça de seu pedestal divino e num passe de mágica, resolva todos seus problemas. Até o ronco do marido, ou a eterna dor de cabeça da esposa.
Algum populista de extrema esquerda talvez vá me falar que essa é a unica condição que o povo tem, que o Brasil é um país em que ninguem tem oportunidade iguais, que essas pessoas nunca vão conseguir nada sem ajuda e que a fé é o unico ponto de apoio que têm etc, etc, etc…
Certa vez vi num seriado uma célebre frase:

Pobreza é sinônimo de preguiça

A cada dia que passa, eu acredito mais nessa máxima.
Me lembro do meu sobrinho, Wilson; nasceu pobre, numa casinha de três comodos no fundo da casa de parentes com sua mãe e irmã, numa cidade sem oportunidades no interior de Minas Gerais. Sem paciência para estudar, tanto que se formou no ensino médio bem tardiamente.
Ele cresceu pobre, tinha que ajudar no sustento da casa, ajudar na criação da irmã e pra piorar, ainda arrumou uma filha.
Wilson não ligou para o Gugu, não mandou uma carta pro Silvio Santos e muito menos rezou pra que um malote de dinheiro caísse do céu no quintal de sua casa.
Ele se lembrou que ele sabia fazer uma coisa direito: TRABALHAR. Wilson trabalhou, mas trabalhou muito. Noite e dia, chuva e sol, feriados e dias nacionais. Ele sempre estava trabalhando. Hoje Wilson não é rico, ainda mora na mesma casinha de fundo em que nasceu. Mas hoje a casinha de fundo já conta com seis cômodos, ele tem um carro, uma moto, sua filha estuda na melhor escola particular para crianças que ele encontrou, está se formando em Administração de Empresas e namora uma garota que mora em São Paulo (E não passa 15 dias sem vê-la. Sempre viaja com seu próprio carro para São Paulo).
Então,
Essa senhora que lhes escrevi no começo desse post é uma pensionista do estado. Recebe seu salário mínimo todo mês, paga suas contas, faz outras e entre uma conta e outra, provavelmente fica na rua de sua casa fofocando. E quando a situação aperta, o que ela faz? Vai escrever uma carta pra que Gugu ou Silvio Santos lhe dêem meio milhão, ou vai rezar pra que alguma divindade se apiede dela e a faça ganhar na mega sena.
Na melhor das opções, ela vai ler “O Segredo” e vai ficar só pensando.
Esse é um dos milhares dos motivos que eu penso que esse país não vai pra frente nunca.
Enquanto houver por aí um louco sensacionalista dando casas, carros e viagens, o povo nunca vai se esforçar para conseguir o que quer e o Brasil nunca vai pra frente.”

Pouco tempo depois recebo um e-mail de um amigo com aberrações do Orkut (ferramenta de fofoca mais poderosa que sua vizinha). Nisso percebo que a “inclusão digital” nada mais é do que uma forma de proliferar a ignorância de um povo que ao invés de utilizar a rede para buscar conhecimento perde seu tempo com ações “sem noção” como a da foto abaixo:

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Sem comentários…

[]´s

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