agosto 2008


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Estava navegando por blogs nacionais quando me deparei com um texto interessante que retrata a realidade social brasileira. Não me recordo o endereço do blog ou o autor (esqueci de selecionar a url e o contato do autor), mas abaixo vai o texto.

“Eu trabalho numa loja de prestação de serviços; pagamento de contas, xérox, assistência técnica em computadores, essas coisas.
Eu estava enrolando serviço trabalhando quando entrou na loja uma senhorinha simpática de uns 50 ou 55 anos e veio falar comigo.

Moço, por favor, você escreve uma carta pra mim?

Na hora eu pensei:

“Que foda… ela não deve saber escrever.”

Fiz trejeito de me levantar, e por curiosidade, perguntei:

– Pra quem é a carta?

– Pro Silvio Santos.

Não soube o que dizer, mas fiquei no lugar que estava.
Perguntei o que era pra escrever e ela me disse só o seguinte:

– Fala pra ele que eu quero ganhar meio milhão.

– Só isso?

Perguntei, e me arrependi amargamente de ter perguntado.
Durante mais ou menos meia hora (meia hora importante do meu serviço, em que eu poderia estar, fazendo coisas de suma importancia, como responder recados no orkut) ela me contou as peripécias de sua vida e como entrou numa dívida que eu achei bastante idiota.
Nessa hora me pergunto: Afinal de contas, se essa mulher tá devendo, por que o Silvio Santos tem que pagar a dívida dela?

É quase cultural hoje no Brasil essa mania de esperar que as coisas caiam do céu ou que alguém de alguma de empresa de televisão vá e pague suas contas, reforme sua casa, te leve de volta pra cidade natal. Tudo que alguem quer hoje, qualquer coisa, eles pedem pra alguem da televisão, para esse batalhão de Gugus e Silvios Santos que temos por aí, isso quando não se ajoelham e pedem aos céus e infernos por uma intervenção divina, cada vez mais o povo se acomoda.
Ninguém mais pensa em, por exemplo, trabalhar pra arrumar algum dinheiro e pagar suas dívidas, reformar sua casa, comprar a passagem pra ir embora pra terra natal. Todo mundo espera que o Gugu apareça na porta de sua casa ou então que um deus desça de seu pedestal divino e num passe de mágica, resolva todos seus problemas. Até o ronco do marido, ou a eterna dor de cabeça da esposa.
Algum populista de extrema esquerda talvez vá me falar que essa é a unica condição que o povo tem, que o Brasil é um país em que ninguem tem oportunidade iguais, que essas pessoas nunca vão conseguir nada sem ajuda e que a fé é o unico ponto de apoio que têm etc, etc, etc…
Certa vez vi num seriado uma célebre frase:

Pobreza é sinônimo de preguiça

A cada dia que passa, eu acredito mais nessa máxima.
Me lembro do meu sobrinho, Wilson; nasceu pobre, numa casinha de três comodos no fundo da casa de parentes com sua mãe e irmã, numa cidade sem oportunidades no interior de Minas Gerais. Sem paciência para estudar, tanto que se formou no ensino médio bem tardiamente.
Ele cresceu pobre, tinha que ajudar no sustento da casa, ajudar na criação da irmã e pra piorar, ainda arrumou uma filha.
Wilson não ligou para o Gugu, não mandou uma carta pro Silvio Santos e muito menos rezou pra que um malote de dinheiro caísse do céu no quintal de sua casa.
Ele se lembrou que ele sabia fazer uma coisa direito: TRABALHAR. Wilson trabalhou, mas trabalhou muito. Noite e dia, chuva e sol, feriados e dias nacionais. Ele sempre estava trabalhando. Hoje Wilson não é rico, ainda mora na mesma casinha de fundo em que nasceu. Mas hoje a casinha de fundo já conta com seis cômodos, ele tem um carro, uma moto, sua filha estuda na melhor escola particular para crianças que ele encontrou, está se formando em Administração de Empresas e namora uma garota que mora em São Paulo (E não passa 15 dias sem vê-la. Sempre viaja com seu próprio carro para São Paulo).
Então,
Essa senhora que lhes escrevi no começo desse post é uma pensionista do estado. Recebe seu salário mínimo todo mês, paga suas contas, faz outras e entre uma conta e outra, provavelmente fica na rua de sua casa fofocando. E quando a situação aperta, o que ela faz? Vai escrever uma carta pra que Gugu ou Silvio Santos lhe dêem meio milhão, ou vai rezar pra que alguma divindade se apiede dela e a faça ganhar na mega sena.
Na melhor das opções, ela vai ler “O Segredo” e vai ficar só pensando.
Esse é um dos milhares dos motivos que eu penso que esse país não vai pra frente nunca.
Enquanto houver por aí um louco sensacionalista dando casas, carros e viagens, o povo nunca vai se esforçar para conseguir o que quer e o Brasil nunca vai pra frente.”

Pouco tempo depois recebo um e-mail de um amigo com aberrações do Orkut (ferramenta de fofoca mais poderosa que sua vizinha). Nisso percebo que a “inclusão digital” nada mais é do que uma forma de proliferar a ignorância de um povo que ao invés de utilizar a rede para buscar conhecimento perde seu tempo com ações “sem noção” como a da foto abaixo:

imageman8.jpg

Sem comentários…

[]´s

Sim! A tecnologia já existe tem um bom tempo, porém agora os produtos estão começando a chegar com preços acessíveis. É o caso do Poweline AV+ da Belkin que já está sendo vendido no mercado americano por U$ 120.00.

O Universal Media Reader da Belkin é capaz de ler 56 tipos de cartões de mídia. Começa a ser vendido em Setembro por U$ 49.99.

O padrão WUSB vem sendo desenvolvido desde 2004 e opera em 480Mbps. O primeiro equipamento da categoria que chega ao mercado é o Wireless USB to VGA Kit da Iogear. O kit permite você exibir qualquer coisa na tela conectada, incluindo o formato 720p HD, com resolução máxima UXGA (1600×1200) ou WSXGA+ (1680×1050).

Com isso será possível colocar aquele belo monitor LCD em qualquer canto da casa sem precisar ficar passando fios.

Wireless USB to VGA Kit
Fabricante: Iogear
Disponibilidade: Outubro (EUA)
Preço: U$ 230

“Porra, Tom. Obrigado”

Garota de Ipanema é a segunda música mais tocada no mundo. Só perde para Yesterday, dos Beatles. E pelo que tenho percebido nas rádios, logo, logo, também fica atrás de Umbrella, umbrella, umbrella. A principio, isso parece motivo de festa e júbilo. “Nossa, mas que orgulho para o nosso país”. “Nossa, o Tom e o Vinícius levaram o nome do Brasil para o planeta inteiro”. “Nossa, e a pedalada do Robinho?”. “Nossa, o Brasil é mesmo maravilhoso”. “Nossa, e o rebolado da Carla Perez?”. Tá, muito legal. Eles fizeram um bem danado para o país. Mas, definitivamente, não para os cariocas.

 
É por causa desse sucesso estrondoso que nasceu um dos maiores infernos do Rio de Janeiro: a marra das cariocas. É claro, a menina sabe que a sua fama de monumento foi parar até em Omski e Dudinka. Normal. Elas se enchem de orgulho e auto-estima. E tome gordinha de tamanco dando toco em Búzios, tome 0x0 no Baixo Gávea. Tome vodka com RedBull pra dar uma levantada e tentar mais uma.
 
Foi por causa do doce balanço a caminho do mar que passamos tantos carnavais em Pompeu, Juiz de Fora, Lambari. Na boa, o que leva alguém a sair do Rio de Janeiro, passar pela Urca, por Ipanema e pensar. Uhuuuu, vamos pra Lambari. Chegando vamos direto pra aquela praça onde tem umas caixas de som no poste. Porra, na boa.
 
Por um lado, é bom, porque que os cariocas passam a conhecer mais o país e até o próprio Rio. Incluindo aí os seus espaços mais sórdidos: Rio Sampa, Excentric, Choperia Tropical, “Mariozinho”. Tem o primo de um amigo meu que já foi mais de 5 vezes `a Coqueluxe. Tá bom, tá bom, fui eu. E foram mais de 10 vezes. Mas não vem não, que seu namorado também já foi lá.
 
O pior é que a música mais famosa do país não é apenas uma ode `a mulher carioca. É uma ode ao toco dado pela mulher carioca. Aí, fica fácil, né, recebe elogio e ganha musiquinha pra vir e passar, pra deixar o cara tão triste, tão sozinho. Tá explicado.
 
Por favor, não que o Rio não tenha mulheres absurdas e tal. O problema é com a relação geográfica. Aquela gata da faculdade que você sonhou e vida toda e que só ficava com aquele cara fortinho, de camisa meio desbotada da Osklen, que chegava de bicicleta na praia e tocava Jorge Ben no violão – então, esse mesmo. Ou aquela outra que você pirou o colégio todo e que só ficava com aquele cara fortinho, de camiseta meio desbotada da Osklen, que chegava de bicicleta na praia e que estava aprendendo a tocar Jorge Ben no violão – então, esse mesmo. Nunca foi impossível ficar com elas. Impossível era ficar com elas no Rio. Porque no Rio, todas acham que têm um pouco de Helô Pinheiro.
 
Ai, inventam a festa do Castelo em Itaipava. Itaipava! E a festa a fantasia de Teresópolis. Teresópolis! Lá pode, né? Não é Rio.
Pagou pedágio pode. Ok. Carnaval em Salvador então. Que maravilha. Ê ô, ê ô, que bom, você chegou. Bem-vindo a Salvador.
E no fundo, Tom e Vinicius são os incentivadores e, por que não, empreendedores de diversos segmentos da economia de nosso balneário. Tenho certeza de que a Garota de Ipanema não malhava na A!academia. Nem tinha feito aplique, nem comia salada no Doce Delicia. É a busca pelo helopinheirismo que impulsionou o crescimento e os investimentos em todas as áreas relativas `a estética. Tanto a feminina como a masculina. Porque o Rio de Janeiro é a única cidade do mundo onde esquisito é quem não malha.
 
Malhação é um ciclo. `As vezes de decaderabolin, às vezes de winstroll. As mulheres, por serem cariocas e, portanto, dificílimas, começam a malhar para se diferenciarem e entrarem na categoria impossíveis. Os homens,  como o número de impossiveis aumenta, malham sem parar, tentando transformá-las em “quem sabe um dia”.
 
E assim, cria-se também o maior número de caras mestres na conquista (expressão amplamente empregada por meu avô) do país. Quando o assunto é a paquera (essa foi piada, sério), crescer no Rio é treinar no BOPE, e sentir que quando você chega em outra cidade, todos são guardas municipais, daqueles que andam de bicicleta na Lagoa. Você, de escopeta e caveirão. Obviamente, é caveira, meu capitão.
 
Esse é o momento de elevação do carioca. O jogo fora de casa. Que bonito ver a bola rolando assim, redondinha. Sem defesa, sem barreira, sem falta. O futebol moleque. E é nessa hora que, sofrido, você resolve agradecer pela segunda música mais tocada do mundo. No fundo, ela cumpriu uma função muito maior. Ao tentar deixar os cariocas prontos para as cariocas, acabou deixando os cariocas prontos para o mundo.
 
Autor: Rafael Pitanguy

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